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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FOGUEIRA DE VAIDADES

Abrindo a Boca...

Ao longo de pouco mais de duas horas, o Presidente Lula foi entrevistado esta manhã em Brasília por alguns blogueiros progressistas. A entrevista foi transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto, pelo portal Estadão e outros blogues. O Presidente falou de direitos humanos, Código Florestal, reforma política, mídia, eleições, aborto, STF, Copa de 2014, Polícia Federal, projetos para o futuro e outros assuntos.

O ABC!, que já adiantou aqui, em posts anteriores, algumas restrições a tal evento, reconhece a importância histórica do encontro para toda a Blogosfera Cidadã e para a democratização da comunicação no Brasil.



Presidente Lula durante entrevista a blogueiros, no Palácio do Planalto
                                 Lula é entrevistado por blogueiros/24.11.2010  (Foto de Ricardo Stuckert/PR)

Entrevista encerrada, este blogue acrescenta mais algumas considerações.

Contatado por email ontem, o coordenador do Blog do Planalto Jorge Cordeiro informou ao ABC! que os blogueiros entrevistadores do Presidente não foram indicados pelo governo, mas selecionados pela comissão organizadora do I Encontro Nacional de Blogueiros, que aconteceu em agosto último, e que reuniu cerca de 330 participantes. Dos onze blogueiros que entrevistaram o Presidente, cinco fizeram parte da referida comissão. Ou seja, ao que tudo indica estes blogueiros se "autoselecionaram" para estar com o Presidente...

"Vaidade das Vaidades, Tudo é Vaidade", como ensina a Bíblia...

Onze blogueiros num universo de 330 representam 3,3 %. É indiscutível que parte considerável deles têm muita audiência em seus blogues, mas continuam representando uma parcela ínfima da blogosfera independente. Cinco são jornalistas profissionais, contratados de rede de televisão (Rodrigo Vianna, repórter da Rede Record) e revista (Leandro Fortes, colunista da CartaCapital; Renato Rovai, editor da revista Fórum), não tendo um perfil específico, exclusivo, de blogueiro. São prioritariamente jornalistas profissionais, vivem dos serviços que prestam a veículos de comunicação, e complementarmente têm blogues... Será que no afã de aparecer diante da autoridade maior do País e desfrutar de alguns minutos de fama, estes profissionais não acabaram por ocupar o lugar de "verdadeiros" blogueiros?

Desde ontem, quando foi noticiada a entrevista, o ABC! se perguntou quais os critérios para a escolha dos entrevistadores, indagação muito pertinente, haja vista que além dos senões já levantados nos parágrafos acima, dois dos entrevistadores parecem ter um perfil incomum: Túlio Vianna é advogado e professor universitário de direito penal, e seu blogue é jurídico; Pierre Lucena, professor universitário de finanças, com blogue (Acerto de Contas) sobre "economia traduzida", política e atualidades. 

Feitas estas considerações, o ABC! lamenta que uma espécie de "ação entre amigos" parece ter predominado na (des) organização desta histórica entrevista. Ao que parece, alguns blogueiros se preocuparam mais consigo mesmos do que com o entrevistado, buscando "ocupar espaço" numa nova seara, divulgar seus blogues, aumentar sua audiência, mesmo que para isso tivessem que passar por cima de outros tantos que só tomaram conhecimento da entrevista um dia antes, pela internet, e não tiveram vez nem voz.

O ABC! aproveita também para elogiar as ausências (e a consequente compostura) dos jornalistas arquiconsagrados Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif e Luiz Carlos Azenha, que dignamente se abstiveram desta "fogueira de vaidades" blogosférica...

BLOGUEIROS ENTREVISTAM LULA HOJE

Blogueiros entrevistarão o Presidente Lula hoje às 9 hs. em Brasília.

Os blogueiros, escolhidos pela organização do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que aconteceu em São Paulo no último mês de agosto, são:

* Altamiro Borges, do Blog do Miro
* Altino Machado, do Blog do Altino e jornalista da Terra Magazine
* Conceição Lemes, do Blog Vi o Mundo
* William Barros, do Cloaca News
* Eduardo Guimarães, do Blog Cidadania
* José Augusto Duarte, do Blog Os Amigos do Presidente Lula
* Leandro Fortes, do Blog Brasília, Eu Vi e colunista da revista CartaCapital
* Pierre Lucena, do Blog Acerto de Contas; professor de finanças da UFPE
* Renato Rovai, do Blog do Rovai e editor da revista Fórum
* Rodrigo Vianna, do Blog Escrevinhador e repórter da Rede Record
* Túlio Vianna, do Blog do Túlio Vianna; advogado e professor de direito da UFMG

Da comissão organizadora do I Encontro de Blogueiros fizeram parte: Luiz Carlos Azenha (Blog Vi o Mundo), Paulo Henrique Amorim (Blog Conversa Afiada), Luis Nassif (Portal Luis Nassif), Altamiro Borges (Blog do Miro), Conceição Lemes (Blog Vi o Mundo), Eduardo Guimarães (Blog Cidadania), Conceição Oliveira (Blog Maria Frô), Rodrigo Vianna (Blog Escrevinhador), Renato Rovai (Blog do Rovai) e Diego Casaes (Blog Logged-In). Cerca de 330 blogueiros participaram do Encontro.

A notícia do encontro do Presidente Lula com os blogueiros progressistas no Palácio do Planalto foi divulgada nos blogues dos participantes ontem, véspera da entrevista.

O Abra a Boca, Cidadão!, criado para defender a livre expressão das ideias e a verdadeira democratização da comunicação, manifesta novamente seu estranhamento quanto ao desconhecimento da concessão de tal entrevista e aos critérios para escolha dos blogueiros que se encontrarão logo mais com o Presidente.

O Abra a Boca, Cidadão!, contrário a privilégios de toda ordem, e nascido para indagar, levantar questionamentos, esclarecer, buscar e divulgar a verdade dos fatos, dar opinião e ajudar a construção da cidadania integral, acompanhará a entrevista pelo Blog do Planalto e voltará a se manifestar sobre este encontro histórico.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

LULA DÁ PRIMEIRA ENTREVISTA A BLOGUEIROS

O Presidente Lula concederá amanhã, dia 24, às 9 hs., no Palácio do Planalto, sua primeira entrevista a blogueiros, fato inédito e auspicioso.

A entrevista será transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e por outros sites e blogues que queiram transmitir. Haverá também possibilidade de participação por meio do twitter.

Participarão da entrevista os blogueiros Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Vi o Mundo), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Leandro Fortes (Brasília Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).

A Blogosfera Cidadã cada vez mais desempenha papel fundamental na comunicação do País, até porque não dá mais pra confiar na velha, apodrecida e corrupta mídia tradicional. A entrevista de Lula aos blogueiros mostra o reconhecimento por parte do governo deste importante papel e manifesta evidente mudança de rumo nas relações entre governo e mídia. Alvíssaras!!!

O jovem, recém-criado blogue Abra a Boca, Cidadão! e sua autora/editora entendem que existem centenas de blogues que tratam de política no Brasil e que seria impraticável ao Presidente Lula receber a todos no Planalto. Mas acreditam que poderia ter sido estudada pelos colegas blogueiros que vão amanhã a Brasília uma forma de cada blogue cidadão encaminhar pelo menos 1 pergunta ao Presidente.

O Abra a Boca, Cidadão! gostaria de ter sido antecipadamente informado a respeito, de saber os critérios para escolha dos blogueiros que estarão com o Presidente e de ter tido oportunidade de encaminhar questões ao Presidente em nome deste blogue.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

DESVARIO MIDIÁTICO

O Abra a Boca, Cidadão!, indignado com a postura da banda podre da mídia que publica informações e trechos do processo da ditadura contra Dilma Rousseff, reproduz abaixo editorial do site Carta Maior, de 19.11.2010. www.cartamaior.com.br 


Editorial do site Carta Maior        


"Grande" imprensa assume voz da tortura e da ditadura

Ao dar legitimidade a relatos de torturadores e assassinos a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática. O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo. O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público. O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento vergonhoso dessa imprensa durante a ditadura.


Editorial



Falta de transparência, manipulação da informação e ocultação da verdade constituem o tripé editorial que anima as pautas e as colunas de seus porta-vozes de plantão. O repentino e seletivo interesse dessas empresas por uma parte da história do Brasil no período da ditadura militar (que elas apoiaram entusiasticamente, aliás) fornece mais uma prova disso. Os seus veículos estão interessados em uma parte apenas da história, como de hábito. Uma parte bem pequena. Mas bem pequena mesmo. Só aquela relacionada ao período em que a presidente eleita Dilma Rousseff esteve presa nos porões do regime militar, onde foi barbaramente torturada. O interesse é denunciar o que a presidente eleita sofreu e pedir a responsabilização dos responsáveis? Não seria esse o interesse legítimo de uma imprensa comprometida, de fato, com a democracia? É razoável, para dizer o mínimo, pensar assim. Mas não é nada disso que interessa à “grande” imprensa.


O objetivo declarado é um só: torturar Dilma Rousseff mais uma vez. Remover o lixo que eles mesmo produziram com seu apoio vergonhoso à ditadura e tentar, de algum modo, atingir a imagem de uma mulher que teve a coragem e a grandeza de oferecer a própria vida em uma luta absolutamente desigual contra a truculência armada e o fascismo político. O compromisso com o resgate da memória do país é zero. Talvez seja negativo. Se fosse verdadeiro e honesto tal compromisso as informações dos arquivos da ditadura contra Dilma e outros brasileiros e brasileiras que usufruíram do legítimo direito da resistência contra uma ditadura não seriam publicadas do modo que estão sendo, como sendo um relato realista do que aconteceu. Esse relato, nunca é demais lembrar, foi escrito pelas mesmas mãos que torturavam, aplicavam choques, colocavam no pau de arara, violentavam e assassinavam jovens cujo crime era resistir a sua perversidade assassina e mórbida.


Ao tomar esses relatos como seus e dar-lhes legitimidade a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática. O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo. O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público.


O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento dessa imprensa durante a ditadura. É verdade que a Folha de S. Paulo emprestou carros para transportar presos que estavam sendo ou seriam torturados? Se esse jornal está, de fato, interessado em reconstruir a história recente do Brasil por que não publica os arquivos sobre esse episódio? Por que não publica o balanço de quanto dinheiro ganhou com publicidade e outros benefícios durante os governos militares? Por que o jornal O Globo não publica os arquivos secretos das reuniões (inúmeras) do sr. Roberto Marinho com os generais que pisotearam a Constituição brasileira e depuseram um presidente eleito pelo voto popular?


Obviamente, nenhuma dessas perguntas será motivo de pauta. E a razão é muito simples: essas empresas e seus veículos não estão preocupadas com a verdade ou com a memória. Mais do que isso, a verdade e a memória são obstáculos para seus negócios. Por essa razão, precisam sequestrar a verdade e a memória e apresentar-se, ao mesmo tempo, como seus libertadores. É uma história bem conhecida em praticamente toda a América Latina, onde a imensa maioria dos meios de comunicação desempenhou um papel vergonhoso, aliando-se sistematicamente a ditaduras e a oligarquias decrépitas e sufocando o florescimento da democracia e da justiça social no continente.


Um episódio ocorrido dia 15 de novembro em Florianópolis ilustra bem a natureza e o caráter dessa imprensa. O comentarista da RBS TV, Luiz Carlos Prates, fez um inflamado discurso sobre os acidentes no trânsito dizendo que a culpa é “deste governo espúrio que permitiu que qualquer miserável tivesse um carro”. O governo espúrio em questão é o governo Lula que, por três vezes agora, foi consagrado nas urnas. O que o comentarista da RBS está dizendo, na verdade, resume bem o que a chamada grande imprensa pensa: é espúrio um governo que permita que qualquer miserável tenha um carro; é espúrio um governo que permita que qualquer miserável vote; é espúrio um governo que ousa apontar para um caminho diferente daquele que defendemos.


Durante a campanha eleitoral, essa mesma imprensa, ao mesmo tempo em que acusava o governo e sua candidata de “ameaçar a liberdade de imprensa”, demitia colunistas por crime de opinião, ingressava na justiça para tirar sites do ar e omitia-se vergonhosamente quando o seu candidato e seus aliados censuravam pesquisas, revistas e blogs. Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma, zero. Apenas uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições. Um crime inafiançável.


Não há mais nenhuma razão para palavras mediadas, expectativas ambíguas e estratégias de comunicação esquizofrênicas. Essas mesmas empresas que não se cansam de pisotear a democracia, desrespeitar a verdade e desprezar o povo não se cansam também de sugar milhões de reais todos os anos em publicidade dos governos que acusam de ameaçar sua liberdade. Cinismo, hipocrisia, mentira e autoritarismo: essas são as mãos que embalam o berço dessas corporações que entravam a democracia e a justiça social no Brasil.


domingo, 21 de novembro de 2010

VIÚVAS DA DITADURA

O Abra a Boca, Cidadão! compartilha a náusea, a indignação e cada palavra do texto abaixo, escrito pelo jornalista Carlos Motta, em seu blog Crônicas do Motta.


http://cronicasdomotta.blogspot.com/2010/11/viuvas-da-ditadura.html

 

Viúvas da ditadura


Tentei ler as matérias que Globo e Folha fizeram sobre a presidente eleita, Dilma Rousseff, com base nos arquivos da ditadura militar, que a torturou na prisão, quando ela tinha 19 anos de idade. Não consegui passar dos primeiros parágrafos. Fiquei enojado.
Não tenho mais paciência para certas coisas.
Não suporto os canalhas, por exemplo.
Apesar disso, reconheço que a publicação de tal lixo tem alguma serventia: nos dá a certeza de que estamos muito longe de podermos nos considerar uma democracia. Somos, quando muito, ainda um projeto.
Isso porque, numa democracia adulta não se faz concessões a torturadores, nem a assassinos, nem a golpistas.
Essas categorias são a escória da humanidade.
Numa democracia verdadeira, nenhum jornal que se preze dá voz a essa escumalha. Porque, se o fizer, se iguala a ela.
A presidente Dilma, estou certo, vai responder à altura a essa vilania.
Pois quem superou a torpeza dos seus algozes com uma vida íntegra, limpa, inteiramente dedicada à causa pública, certamente não teme a ação de covardes que falam por meio de vozes vindas do mais tenebroso passado.
Inteligente, ela anotou o recado que as viúvas dos ditadores lhe enviaram.
Inteligente, sabe que tem tempo de sobra para responder-lhes.

sábado, 20 de novembro de 2010

MÍDIA TORTURA DILMA MAIS UMA VEZ

O blogue ABRA A BOCA, CIDADÃO! subscreve cada palavra da nota abaixo.



A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) reunida nesta sexta-feira (19), em São Paulo, além de tratar de interesses da entidade, decidiu divulgar uma nota oficial criticando a campanha ardilosa da grande mídia comercial em torno dos arquivos da ditadura militar sobre a presidente eleita Dilma Rousseff. A nota afirma:



"MAIS UMA VEZ, A MÍDIA HEGEMÔNICA TORTURA DILMA"

Passados 19 dias desde a vitória de Dilma Rousseff sobre Serra, por uma vantagem de 12 milhões de votos, a oposição e seu dispositivo midiático não recolheram as garras um só minuto.

Cinco dias após o revés nas urnas, o candidato derrotado estava em Biarritz levando um 'por que no te callas', em resposta a tentativa de armar o palanque da oposição em território francês.

O jornalismo que lhe dá apoio irrestrito não deixa por menos e cumpre escancaradamente uma agenda de  terceiro turno. Dia sim, dia não, uma crise produzida e maquiada ganha as manchetes  da mídia conservadora  numa escalada  ao mesmo tempo sôfrega e frívola.

Não escapa ao observador mais criterioso que os temas são apenas um ornamento do estandarte antecipadamente empunhado. A intenção, clara, é minar a autoridade da Presidente eleita antes mesmo de sua posse.

Agora, o dispositivo midiático da oposição reedita o "pau-de-arara" e empenha-se em dar legitimidade 'jornalística' a um relatório produzido pela ditadura militar sobre a militância revolucionária de Dilma Rousseff nos anos 70.

O que se promove nessa espiral  é a reprodução simbólica das sessões de tortura perpetradas durante 22 dias seguidos contra uma jovem de 19 anos pelo regime de fato.

É aberrante do ponto de vista do fazer jornalístico emprestar credibilidade ao que foi transcrito por um Estado terrorista, concedendo força de prova ao que uma mulher declarou sob tortura.

Ademais, é um agravo à ética jornalística que uma mídia comercial ainda atue como aliada do extinto regime ditatorial, ao tomar seus documentos como válidos e legais.

Finalmente, constitui um escárnio em relação à história o fato de que a mesma mídia --os mesmos veículos --  que se esponjou em benefícios econômicos e políticos concedidos pela ditadura nunca ter demonstrado maior interesse em apurar e divulgar os crimes cometidos pelo regime. Todavia, empenha-se acintosamente em se associar novamente à matéria pútrida urdida sob o regime do pau-de-arara para atacar a honra de uma combatente da liberdade.

O enredo dessa trama está para o bom jornalismo, assim como o rio Tietê para a preservação do meio ambiente. A aposta em curso é a de que, uma vez Lula fora da cena política, não haverá força capaz de deter o trator oposicionista, cujas rodas em poucos meses pretendem transitar por cima do cadáver político do novo governo.

A mídia progressista repudia firmemente essa campanha ardilosa e coloca-se em prontidão para denunciá-la em respeito à vontade soberana do povo brasileiro.

São Paulo, 19 de novembro de 2010


ALTERCOM

MÍDIA DÁ INÍCIO A TERCEIRO TURNO

E "trechos selecionados" dos autos do processo que a ditadura militar instaurada pelo Golpe de 64 promoveu contra a jovem ativista Dilma Rousseff começam a aparecer em jornais da velha e carcomida mídia brasileira...

Depois de barbaramente seviciada durante 22 dias por imundos e covardes brutamontes, sofrendo todo tipo de violência física, psicológica e moral, nos anos 70, agora, quarenta anos depois, estes apoiadores e colaboradores do regime de exceção que vivemos pretendem na sua desfaçatez costumeira dar seguimento a tais horrores, maculando a imagem da vítima, agora presidenta eleita, tentando constrangê-la e quem sabe desestabilizar seu governo que nem iniciou.

Não aceitam a vontade soberana do povo brasileiro expressa nas urnas em 31 de outubro último. E buscam dar início a um terceiro turno.

O Abra a Boca, Cidadão!, defensor da ampla, geral e irrestrita liberdade de imprensa, repudia a ação golpista, inescrupulosa e deletéria desta mídia. E indaga: Você, leitor e cidadão, acreditaria na palavra de criminosos?

Leia abaixo artigo do Professor Emir Sader a respeito.


Quanto vale a palavra de torturadores?

17/11/2010

por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior

[Reproduzido a partir do blog Vi o Mundo http://www.viomundo.com.br/politica/emir-sader-quanto-vale-a-palavra-de-torturadores.html]

O Superior Tribunal Militar abriu o processo da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que um órgão da imprensa – aquele cuja executiva disse que a mídia é o partido político da oposição – buscava afoitamente na reta final da campanha eleitoral.

O que teremos nesse processo? A versão que os torturadores davam das suas vítimas, dos torturados. Essa mesma imprensa que reclamava, com razão, da censura, vai agora acreditar no que os verdugos diziam do crime monstruoso da tortura, que praticavam? E do comportamento das vítimas indefesas desse crime hediondo?

É como se levassem a sério o que os censores devem ter escrito sobre as publicações que censuravam e os jornalistas. Nós nunca os tomaríamos a sério, utilizamos os documentos da censura para denunciar ainda mais o obscurantismo da ditadura.

O processo tem que ser mais um instrumento de denúncia da tortura – crime imprescritível – e não instrumento de manipulação política justo do jornal que emprestou carros para que órgãos da ditadura, disfarçados de jornalistas, cometessem suas atrocidades. O mesmo órgão que considerou que não tivemos uma ditadura, mas uma “ditabranda”.

O processo é um testemunho dos agentes do terror, daqueles que assaltaram pela força o Estado, destruíram a democracia e se apropriaram dos bens públicos para transformá-los em instrumentos dos crimes hediondos que cometeram – em nome da “democracia”.

Nas mãos de democratas, se transformará em mais uma prova da brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura militar contra seus opositores. Nas mãos dos que foram complacentes e se beneficiaram da ditadura, será instrumento político torpe. A mídia que acreditar no que diziam os torturadores, será conivente com eles, ao invés de denunciar os crimes que eles cometeram.

Para os que se sujaram com a ditadura é insuportável que houve gente que se comportou com heroísmo e dignidade. Querem enlamear a todos, porque se houve tanta gente que resistiu à ditadura, mesmo em condições limites, havia alternativa que não a conciliação e a conivência com a ditadura.